terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Matéria não tangível - Um desafio à percepção



Na série de trabalhos conhecidos como projection pieces, James Turrell (1943) faz uso de recursos tecnológicos para construir um objeto de luz. Nos deixamos iludir e aceitamos que a luz se faz presente e constitui o corpo do objeto. Encantados, ficamos ali um determinado tempo, olhando, imóveis, buscando entender onde começa e onde termina aquele objeto no espaço, mas ele é apenas luz.

A luz intensa, por meio do deslumbramento, anula a visibilidade dos cantos da parede e gera uma confusão em relação à profundidade. Sabemos onde começa e onde termina o canto da sala, mas sob a luz forte os limites desaparecem frente ao nosso olhar. A continuidade que se espera some e no seu lugar surge uma outra profundidade construída pela luz.

"A interpretação dada a este intrigante fenômeno é a de algo realmente presente em forma sólida, recortado em canto vivo (sharp edge), num material desconhecido, pairando em frente à parede, interpretação esta só desfeita com a aproxi-mação do lugar da projeção, quando se reconhece a projeção plana de luz, diretamente na parede. ...
... Na realidade, elas criam uma forma sem forma, um espaço enganoso, que está no espaço do percebedor e, ao mes-mo tempo, parece recortar um outro, onde se pode mergulhar indefinidamente e, quando se faz isto, entrando no foco lumino-so, o espaço desaparece, só restando a luz. ( BARROS, P.105)"